| Vidro de cocaína da firma Merck, por volta de 1885
Em razão do interesse divergente de meus estudos, mas no entanto profundo, eu fora levado, em 1884, a mandar buscar na Casa Merck um alcalóide então pouco conhecido, a cocaína, e a estudar seus efeitos fisiológicos. Quando estava mergulhado nesses trabalhos, ofereceu-se a mim a possibilidade de uma viagem que me permitia rever minha noiva […]. Concluí apressadamente minhas pesquisas sobre a cocaína e, em minha publicação, anunciei que, brevemente, veríamos novas aplicações dessa substância. Mesmo assim, encarreguei meu amigo, o oculista L. Königstein, de experimentar até que ponto as propriedades anestésicas da cocaína poderiam ser utilizadas no olho doente. Quando voltei de licença, fiquei sabendo que, não ele, mas outro amigo, Carl Koller […], com quem eu também falara da cocaína, fizera experiências decisivas no olho de animais e as apresentara no Congresso de Oftalmologia de Heidelberg. Assim, Koller passa, a justo título, por ter descoberto a anestesia local pela cocaína, que logo se tornou muito importante nas pequenas cirurgias. Mesmo assim, não guardei rancor de minha noiva por causa da oportunidade então perdida.
Minha vida e a Psicanálise
(Carl Koller, 1857-1944, condiscípulo de Freud e oftalmologista famoso.)
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