| Página de título “Über Coca”, 1885
Ao longo de várias pesquisas, eu mesmo estudei, assim como outros, a ação exercida pela cocaína num organismo humano bem de saúde. […] Não há aquele sentimento de alteração que acompanha o estado de alegria devido ao álcool; não há nada tampouco que leve a uma atividade imediata e que caracterize o efeito do álcool. A impressão que temos é de podermos nos dominar melhor, de estarmos mais fortes e de podermos trabalhar melhor; e se trabalhamos, não sentimos nem a excitação nem o aumento das forças mentais que o álcool, o chá e o café provocam e que achamos tão preciosas. Estamos simplesmente normais; fica até difícil imaginar que estamos sob o efeito de um produto qualquer. É como se, com tais doses, o humor em que nos mergulha a cocaína não resultasse tanto de uma excitação direta quanto do desaparecimento dos elementos deprimentes do estado de espírito geral. Talvez fosse conveniente também admitir que a euforia numa pessoa com boa saúde é apenas o estado normal de um córtex cerebral bem nutrido que “nada sabe” sobre os órgãos de seu próprio corpo.
Da Cocaína |