| Freud, por volta dos trinta anos
Você acha mesmo que eu tenho uma cara tão simpática? Duvido muito, veja você. Acho que as pessoas vêem em mim algo que as desconcerta e isso, em última análise, porque, na minha juventude, não fui jovem e que, agora, quando começa a idade madura, não consigo envelhecer. Houve um tempo em que eu era só desejo de me instruir e ambição e em que, dia após dia, eu lamentava amargamente que a Natureza não tivesse colocado na minha testa, por um feliz capricho, a marca do gênio com que ela às vezes presenteia. Desde então, sei bem demais que não sou gênio e não entendo mais como pude um dia desejar ser um. Não sou sequer muito dotado; todo o meu poder de trabalho provavelmente se deve a meu caráter e à ausência de graves fraquezas intelectuais.
Carta a Martha Bernays de 2.2.1886
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