| Edição original de “Psicologia coletiva e Análise do Eu”, 1921
[…] a psicologia coletiva encara o indivíduo enquanto membro de uma tribo, de um povo, de uma casta, de uma classe social, de uma instituição, ou enquanto elemento de uma multidão humana que, num dado momento e em vista de um objetivo dado, se organizou numa massa, numa coletividade. Após ter rompido os laços naturais que mencionamos acima, fomos levados a considerar os fenômenos que ocorrem nessas condições particulares como manifestações de uma tendência especial, irredutível – hero instinct, group mind – não aparecendo em outras situações. Devemos no entanto declarar que nos recusamos a atribuir ao fator numérico uma importância tão considerável e a admitir que só ele seja capaz de fazer nascer na vida psíquica do homem um instinto novo, não se manifestando em outras condições. Postulamos, antes, duas outras possibilidades, a saber que o instinto em questão está longe de ser um instinto primário e irredutível e que ele já existe, ainda que em estado de esboço, em círculos mais estreitos, como o da família.
Psicologia coletiva e análise do Eu
Edição original de “O id e o ego, 1923”
O conteúdo do si pode penetrar no eu [moi], seguindo duas vias diferentes. A primeira via é direta, a segunda passa pelo eu ideal, uma e outra determinando de maneira decisiva a natureza de certas atividades psíquicas. A evolução do eu [moi] vai da percepção instintiva à dominação dos instintos, da obediência aos instintos à inibição dos instintos. Ora, o eu ideal, que constitui em parte uma formação reacional contra os processos instintivos do si, contribui fortemente para essa evolução. A psicanálise é um procedimento que facilita ao eu [moi] a conquista progressiva do si. Mas, por outro lado, o mesmo eu [moi] nos aparece como uma pobre criatura submetida a uma tripla servidão e vivendo, por isso, sob a ameaça de um triplo perigo: o mundo exterior, a libido do si e a severidade do supereu.
O id e o ego |