| Freud, 1931
Houve um tempo em que eu não era dessas pessoas que não podem guardar consigo o que supõem ser uma novidade, até de ela ter encontrado confirmação ou justificação. A interpretação dos sonhos e o Fragmento da análise de uma histeria (o caso Dora) eu os reprimi, se não foi por nove anos segundo a receita de Horácio, pelo menos por quatro ou cinco anos, antes de entregá-los à publicação. Mas, então, o tempo se estendia a perder de vista à minha frente – oceans of time como diz um amável poeta – e o material afluía a mim, tão rico, que eu mal podia me defender contra as experiências práticas. Eu também era o único pesquisador num campo novo; minha reserva não era para mim de nenhum perigo, não trazia aos outros nenhum prejuízo.
Hoje tudo é diferente. O tempo à minha frente é limitado; não é mais inteiro gasto em trabalho; não tenho mais tão amplas oportunidades de fazer novas experiências. Quando creio ver algo novo, não estou mais certo de poder esperar a confirmação. Já retiraram também tudo o que está na superfície; o que resta, é preciso, ao preço de longos esforços, ir buscá-lo nas profundezas.
Algumas conseqüências psicológicas da diferença anatômica entre os sexos
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