| Com o pai, por volta de 1864
Chego, enfim, ao acontecimento de minha juventude que ainda hoje age sobre todos esses sentimentos et todos esses sonhos quando meu pai começou a levar-me em seus passeios e a ter comigo conversas sobre suas opiniões e sobre as coisas em geral. Um dia, para me mostrar o quanto o meu tempo era melhor que o dele, contou-me o seguinte fato: Certa vez, quando eu era jovem, no país onde você nasceu, saí à rua num sábado, bem vestido e com um boné de peles novinho. Um cristão apareceu; com um golpe, jogou meu boné na lama gritando: “Judeu, desça da calçada!” – “E o que você fez?”– “Peguei o boné no chão”, disse meu pai com resignação. Aquilo não me pareceu heróico da parte daquele homem alto e forte que me segurava pela mão.
A interpretação dos sonhos
(Jacob Freud 1815-1896, comerciante de lãs.)
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